Abril azul: Mês de Conscientização sobre Autismo

Muito provavelmente, você já ouviu falar sobre autismo. Nos últimos anos, os diagnósticos do Transtorno do Espectro Autista (TEA) aumentaram bastante.
Mesmo assim, o tema ainda é um tabu em muitos ambientes familiares. As pessoas continuam a ter uma visão errada do que é esse distúrbio, sem conhecer as características de um indivíduo neuroatípico ou neurodivergente (com o desenvolvimento neurológico fora do padrão considerado convencional).
No nosso país, ainda há muitos brasileiros sem as devidas informações sobre o assunto, que acabam por reproduzir falas tidas como “capacitistas” (com sentidos equivocados e pejorativos em relação à pessoa com deficiência – PCD) e atrapalhando ainda mais o avanço desta área da saúde.
Em todo o mundo, as pessoas com transtorno do espectro autista são frequentemente sujeitas à estigmatização, discriminação e violações de direitos humanos. Globalmente, o acesso aos serviços e apoio a elas é inadequado.
Por isso, é preciso esclarecer as principais dúvidas sobre essa questão tão relevante para a saúde mental e prevalente para a nossa sociedade. A Campanha Abril Azul é realizada pelas entidades sociais e instituições de saúde justamente para ampliar a conscientização sobre o autismo.
Durante o mês de abril, diversas ações são desenvolvidas para informar a população sobre o TEA, desmistificar conceitos equivocados e promover a inclusão e o respeito às pessoas com o transtorno. A campanha busca sensibilizar a sociedade para a importância da aceitação, empatia e entendimento das necessidades das pessoas com a condição.
Como surgiu o mês Abril Azul?
O preconceito com pessoas autistas ainda é muito presente na sociedade, devido, especialmente, à falta de informação sobre o transtorno. Por isso, o Abril Azul, desde 2007, busca trazer mais conhecimento sobre o assunto para apoiar pais, educadores e responsáveis a reconhecer sinais do autismo e iniciar o tratamento o quanto antes, criando uma sociedade mais inclusiva e acolhedora.
Nos últimos anos, a condição tem ganhado uma visibilidade maior, trazendo à tona diversas dúvidas sobre o diagnóstico, que deve ser feito por profissional especialista em saúde mental, a partir da observação do comportamento do paciente. Na infância, é indicado procurar um pediatra de confiança para verificar a necessidade de encaminhamento a um neuropediatra ou outra especialidade.
Em fases da vida mais desenvolvidas, o diagnóstico mais garantido vem estabelecido por um médico psiquiatra a partir de parâmetros clínicos e entrevistas. O tratamento é psicológico, auxiliado por fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, neuropsicólogos e psicopedagogos para melhorar o desenvolvimento em variados desafios psicomotores, de fala, mobilidade e aprendizagem.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é apontado como um problema de saúde pública internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pois é uma condição que altera o neurodesenvolvimento da pessoa. Assim, prejudica a organização de pensamentos, sentimentos e emoções, o que compromete a comunicação e a interação social do indivíduo.
O termo “espectro” foi inserido ao nome do transtorno autista em 2013, por conta da diversidade de sintomas e níveis que as pessoas apresentam. Cada paciente com autismo tem seu próprio conjunto de manifestações, tornando-o único dentro do espectro.
Uma a cada 36 crianças é diagnosticada com TEA nos Estados Unidos, de acordo com o CDC (Center of Deseases Control and Prevention – Centro de Controle e Prevenção de Doenças). No Brasil, não existem dados oficiais, mas estima-se que cerca de 2 milhões de pessoas tenham autismo, muitos sem diagnóstico e tratamento adequados.
Segundo dados da OMS, hoje essa condição atinge 1 em cada 160 crianças do planeta. Conforme levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU), há cerca de 70 milhões de pessoas com autismo no mundo.
A classificação do transtorno evoluiu na última década, com os diagnósticos acontecendo de forma cada vez mais precoce. No entanto, mais estudos são necessários para ampliar o conhecimento sobre os diferentes graus do distúrbio e permitir tratamentos mais individualizados e efetivos.
A condição ocorre em todos os grupos raciais, étnicos e socioeconômicos, e é 4 vezes mais comum entre meninos do que entre meninas. A dificuldade no diagnóstico e a falta de conhecimento mais aprofundado sobre os sintomas do autismo ainda são desafios muito presentes que precisam ser combatidos em todo o globo.
Dia Mundial de Conscientização do Autismo: 2 de abril
A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu em 2007 a data de 2 de abril como o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, ou apenas Dia do Autismo, com objetivo de alertar e ampliar o debate sobre o preconceito. Desde o primeiro evento, a mobilização vem provando ser uma excelente ferramenta de quebra de discriminação e de falta de informação.
Alguns dos principais símbolos do autismo são:
Cor azul
Escolhida para representar os meninos, porque a incidência é maior entre eles, em torno de 75%.
Laço
Usado para demonstrar os locais especiais reservados para aqueles que possuem autismo.
Fita
Demonstra que é possível alguém com autismo viver a vida de forma plena e funcional.
Quebra-cabeça
Denota sua diversidade e complexidade, além da dificuldade de se encaixar na sociedade – criado em 1963 pela National Autistic Society, no Reino Unido.
Infinito colorido
Conota as diferenças do espectro autista.
O que é Transtorno do Espectro Autista (TEA)?
O autismo não é considerado uma doença, mas uma condição neurológica que compromete a interação social, a fala e o comportamento do indivíduo em diversos níveis. Assim, é possível dizer que pessoas autistas têm dificuldades nessas áreas.
Esse transtorno mental de desenvolvimento causa problemas na:
- Linguagem
- Comunicação
- Comportamento
- Interação social
Ela não é uma condição uniforme, pois não se apresenta de forma semelhante em todas as pessoas com o diagnóstico. Enquanto alguns indivíduos com autismo realizam a maioria das tarefas do cotidiano sem apoio, outros necessitam de auxílio até em atividades consideradas simples.
Devido a essas diferenças de grau de distúrbio e limitações bastante diversas entre si, do nível mais leve ao mais grave, o autismo recebeu o nome completo de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em 2013, no lançamento da quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V).
Ou seja, há uma complexidade muito grande relativa aos sinais e sintomas do transtorno. Os sinais aparecem, em geral, nos primeiros 5 anos de vida, e é por isso que pais, responsáveis e educadores precisam estar atentos.
Alguns comportamentos para ligar o alerta são:
- Não conseguir manter contato visual por mais de 2 segundos
- Não atender quando chamado pelo nome
- Dificuldade de comunicação verbal e não-verbal
- Dificuldade em socializar com outras crianças
- Costume de alinhar objetos
- Brincar de forma não convencional com alguns brinquedos
- Repetir frases ou palavras em momentos inadequados
- Dificuldade de usar a imaginação, pois as crianças com TEA têm a tendência de compreender tudo literalmente, “ao pé da letra”
- Presença de comportamentos repetitivos
- Sentidos aguçados, como incômodo com texturas e barulhos altos e repetitivos
Se esses sinais estiverem presentes, é preciso buscar ajuda médica. A ciência e os especialistas podem avaliar e estudar melhor os graus de autismo a partir da consideração dos sintomas apresentados.
O diagnóstico detalhado de um caso só deve ser estabelecido por um psiquiatra, após avaliação criteriosa.
O que significa Abril Azul e Verde?
O quarto mês do ano, no calendário da saúde, é relacionado a duas cores: azul e verde.
Abril Azul é um movimento que visa aumentar a conscientização sobre o autismo, enquanto o Verde simboliza a conscientização da população sobre a importância da saúde e segurança no trabalho. Ambos representam importantes causas e buscam promover a compreensão, sensibilização e a solidariedade em relação a essas questões.
O Abril Verde é uma campanha de alerta sobre segurança no trabalho, tendo como foco a prevenção de acidentes e lesões e de outras doenças relativas às funções laborais.
Saúde é coisa séria. Por isso, caso precise de ajuda, busque um médico do trabalho, psicólogo ou psiquiatra perto de você, da sua familia ou empresa o quanto antes!