Sinop: PC diz que oficinas ajudavam furto de módulos e antecipa novas fases
A Polícia Civil de Sinop revelou detalhes da atuação de uma quadrilha especializada no furto de módulos eletrônicos de caminhões durante a Operação Módulo Oculto, deflagrada nesta semana. A ação resultou no cumprimento de 13 mandados de prisão, 14 mandados de busca e apreensão, suspensão de quatro empresas e bloqueio de 22 contas bancárias, além do sequestro de quatro imóveis e 13 veículos.
Os delegados Thiago Berger e Lucas Pereira, responsáveis pela investigação conduzida pela Delegacia Especializada em Roubos e Furtos (DERF), explicaram como o esquema criminoso funcionava e adiantaram que a operação deflagrada é apenas a etapa inicial de um trabalho que deve ter novos desdobramentos.
Como surgiu a investigação
De acordo com o delegado Thiago Berger, as apurações tiveram início no ano passado, após a prisão de suspeitos ligados a furtos de módulos eletrônicos em Sinop. Diante do aumento expressivo dessa modalidade criminosa na cidade, a polícia decidiu concentrar esforços na identificação dos receptadores, já que a captura isolada dos furtadores se mostrava insuficiente para conter a prática, uma vez que os crimes ocorriam em diferentes pontos da cidade, inclusive dentro de pátios de empresas.
A apuração identificou quatro empresas que funcionavam como pontos de recebimento dos módulos furtados, repassando o material posteriormente a outros compradores. Segundo levantamentos da DERF, a média era de um módulo furtado por dia em Sinop, o equivalente a cerca de 30 unidades mensais.
Modo de ação dos criminosos
Segundo Berger, o grupo mantinha uma rotina bem definida. Durante o dia, integrantes circulavam pela cidade de moto para identificar caminhões estacionados em pontos estratégicos, repassando as informações a outros membros da quadrilha. Já durante a madrugada, geralmente entre 2h e 3h, ocorriam os furtos propriamente ditos.
O delegado Lucas Pereira destacou que a retirada dos módulos exige conhecimento técnico de mecânica, já que o equipamento precisa ser removido sem danos para manter seu valor de revenda. Ele também informou que os suspeitos utilizavam armas de fogo tanto para garantir a fuga quanto como forma de intimidação caso fossem surpreendidos pelos donos dos veículos.
Papel das oficinas e cobrança de resgate
Um dos pontos centrais da investigação foi a participação direta de donos de oficinas no esquema. Segundo Berger, um dos principais receptadores não apenas comprava os módulos furtados, mas também orientava os executores sobre as ferramentas necessárias para a subtração dos equipamentos, chegando inclusive a encomendar módulos específicos.
A investigação também apontou uma prática recorrente entre as vítimas: ao procurarem oficinas para comprar um módulo de reposição, muitas descobriam que o próprio equipamento furtado estava em posse dos criminosos e acabavam pagando para recomprá-lo, em valores que variavam entre R$ 3 mil e R$ 5 mil.
De acordo com Berger, a diferença de preços evidenciava o lucro do esquema: enquanto um módulo novo custaria entre R$ 35 mil e R$ 40 mil no mercado, os furtadores vendiam a peça por cerca de R$ 3 mil, e os receptadores a repassavam por valores próximos a R$ 9 mil.
Distribuição para outros estados
As investigações também identificaram que parte dos módulos furtados em Sinop era enviada para outras localidades, incluindo Cuiabá, o Pará e Roraima, o que indica uma rede de atuação que ultrapassa os limites do município.
Novas fases da operação
Ao final das apurações, os delegados reforçaram que a Operação Módulo Oculto representa apenas a primeira etapa de um trabalho mais amplo. Segundo Berger, outros suspeitos e empresas já foram identificados e devem ser alvo de novas ações. Ele também deixou um alerta a empresários do setor que possam estar envolvidos na comercialização de peças furtadas, afirmando que serão responsabilizados tanto na esfera criminal quanto na comercial.
Fonte: Só Notícias
Da redacao / Fernando Oliveira


