Sexto alvo da Operação Mãos à Obra é preso ao desembarcar no aeroporto de Sinop
O fiscal de obras Eliseu Rodrigues de Carvalho, apontado como o sexto alvo da Operação Mãos à Obra – Fase II, foi preso ontem após desembarcar no aeroporto de Sinop. A ação foi realizada por equipes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), com apoio da Polícia Militar.
Eliseu estava no exterior quando a operação foi deflagrada, na última quarta-feira. Segundo informações do Ministério Público, os cinco primeiros mandados de prisão preventiva foram divulgados inicialmente por razões estratégicas, já que o fiscal permanecia fora do país.
Após o desembarque, ele foi abordado pelos agentes, teve o mandado cumprido e foi conduzido pelas autoridades. Imagens registraram o momento da prisão no aeroporto.
A Operação Mãos à Obra – Fase II é conduzida pela unidade descentralizada do GAECO em Sinop e busca aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo servidores públicos e empresários ligados a obras e empreendimentos imobiliários no município.
As apurações concentram-se em suspeitas de exigência e pagamento de vantagens indevidas para acelerar ou favorecer processos administrativos, emissão de pareceres, aprovação e regularização de projetos, concessão de licenças e certificados, além de possíveis interferências em fiscalizações e outros procedimentos relacionados à Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação. Os fatos investigados teriam ocorrido entre 2017 e 2026.
Na primeira fase da operação, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão. Na ocasião, foram presos os servidores municipais Valdinei Monteiro da Silva, Júlio Henrique Verdu Garcia e Fernando Dante Morari, além de dois empresários.
A Justiça também determinou o afastamento cautelar de seis agentes públicos, a suspensão das atividades econômicas e financeiras de uma empresa investigada e o bloqueio de até R$ 80 milhões em bens e valores relacionados a um grupo de investigados e a uma pessoa jurídica. Também foram autorizados sequestros de ativos financeiros de até R$ 3 milhões para cada um dos demais alvos, além do bloqueio de imóveis vinculados a um dos investigados.
Os cinco primeiros presos passaram por audiência de custódia, e as prisões preventivas foram mantidas. Os pedidos de liberdade apresentados pelas defesas foram encaminhados ao Ministério Público, que se manifestou contrário à soltura.
Em entrevista coletiva realizada na quarta-feira, a promotora de Justiça Roberta Cheregatti Sanches e o delegado Getúlio Daniel apresentaram detalhes da investigação. Segundo o delegado, o suposto esquema teria se enraizado dentro da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação.

===