Flavio Bolsonaro se reúne com lideranças hoje em Mato Grosso e Wellington não deve participar
O cenário político de Mato Grosso ganhou um novo capítulo com a ausência do senador e pré-candidato ao Governo do Estado, Wellington Fagundes (PL), no primeiro compromisso oficial de campanha articulado para Flávio Bolsonaro (PL) em Cuiabá. O evento, agendado para o dia de hoje, conta com a participação expressiva do senador Rogério Marinho (PL-RN), que atua como coordenador-geral da campanha de âmbito nacional. Toda a organização do encontro ficou sob a responsabilidade do empresário Odílio Balbinotti Filho (PL), que exerce a coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro em solo mato-grossense, desenhando uma agenda estrategicamente voltada para o empresariado local.
O objetivo central da reunião é aproximar os grandes investidores e produtores da região das propostas defendidas pela chapa, buscando expandir o suporte político e consolidar o financiamento para as atividades de pré-campanha do senador. Ao ser indagado sobre a falta de convite a Wellington Fagundes, Odílio Balbinotti Filho justificou que a reunião possui uma natureza estritamente corporativa e de mercado, razão pela qual nenhuma liderança política em exercício foi chamada para compor a mesa de debates. Durante o fórum, Rogério Marinho deve expor as diretrizes econômicas, as metas de privatização e a visão de governo do projeto conservador, visando engajar o PIB do estado no plano eleitoral.
Esse formato de imersão empresarial com foco em arrecadação e alinhamento de propostas vem sendo replicado por Rogério Marinho em diversas unidades da federação, servindo como termômetro para medir o termômetro do mercado produtivo. Contudo, analistas de bastidores apontam que a exclusão de Fagundes joga luz sobre as profundas rachaduras internas que assolam o Partido Liberal (PL) em Mato Grosso. A legenda encontra-se cindida entre duas grandes correntes ideológicas e táticas: a ala ideológica, que possui ligação direta com o bolsonarismo raiz, e a ala da estrutura partidária tradicional, que responde ao comando do presidente nacional Valdemar Costa Neto, do qual Wellington Fagundes é historicamente um dos braços direitos.
A distorção de interesses entre Balbinotti e Fagundes também é alimentada por composições e projetos eleitorais conflitantes para o pleito que se aproxima. O empresário coordenador é o primeiro suplente na chapa do deputado federal José Medeiros (PL), que concorre a uma vaga no Senado e já se posicionou formalmente contra a candidatura de Fagundes ao Palácio Paiaguás. O ponto de maior atrito entre os grupos decorre das negociações lideradas por Fagundes para costurar uma coligação majoritária com o MDB, especificamente com a ala liderada pela deputada estadual Janaina Riva, que almeja disputar a mesma cadeira no Senado.
Para os aliados de José Medeiros, essa movimentação de Wellington Fagundes é vista como uma articulação de bastidores para esvaziar a pré-candidatura do PL ao Senado e beneficiar o grupo emedebista em troca de apoio ao governo. Essa desconfiança mútua azedou o clima entre as frentes partidárias, transformando o partido em uma arena de disputas internas por espaço, verbas de fundo partidário e tempo de propaganda oficial no rádio e na televisão.



