Preço do leite pago ao produtor em Mato Grosso cai 12%

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O cenário da pecuária de leite em Mato Grosso enfrentou oscilações importantes ao longo dos primeiros seis meses do ano, conforme dados consolidados em um recente estudo setorial sobre a cadeia produtiva da região. O relatório técnico revelou que o valor médio repassado aos pecuaristas pelo litro do alimento bruto ficou estabelecido em R$ 2,03. Esse índice financeiro representa uma retração de 12,12% quando confrontado com o desempenho do mesmo ciclo do ano anterior, período que havia atingido o topo histórico de valorização para uma primeira metade de ano desde que o monitoramento estatístico começou a ser computado de forma sistemática no ano de 2015. Os analistas apontam que essa desvalorização acumulada foi impulsionada, principalmente, pelos baixos patamares de preços praticados pelo mercado durante as negociações do primeiro trimestre.

A retração nos ganhos dos produtores veio acompanhada de uma diminuição expressiva no volume de matéria-prima recebida pelas plataformas de processamento do estado. O Índice de Captação de Leite de Mato Grosso registrou um encolhimento de 5,68 pontos percentuais na média semestral sob a mesma base de comparação anual, recuando para a marca de 45,66%. Esse percentual configura o menor patamar produtivo já catalogado na história da atividade leiteira mato-grossense. Apesar de os números consolidados do semestre mostrarem um ritmo desacelerado, o balanço isolado do encerramento do período trouxe uma reação positiva: o preço do produto coletado em junho e depositado nas contas dos fazendeiros no mês subsequente engatou a quinta valorização mensal seguida, atingindo a cotação de R$ 2,27 por litro e consolidando um acréscimo de 4,96% em relação aos valores de maio.

As projeções estruturadas para os próximos meses indicam novos desafios logísticos e operacionais para o setor leiteiro com a intensificação das condições climáticas adversas na região centro-oeste. O diagnóstico técnico sinaliza que a escassez de precipitações pluviométricas e o avanço rigoroso da estiagem sazonal no estado provocarão a perda de qualidade das pastagens, limitando a alimentação do rebanho e derrubando a produtividade diária nas fazendas. Diante da menor oferta do produto no mercado interno, as indústrias de laticínios deverão travar uma disputa comercial acirrada para assegurar o abastecimento de suas linhas de produção, dinâmica que tende a forçar novos reajustes nas cotações pagas aos produtores locais.

Da redacao / Fernando Oliveira